
Você!
me culpou
condenou
aprisonou
Você me deixou
Levou tudo de nós
Quebrou o espelho
Não varreu a casa
Não fechou a porta
Fiquei jogado
Abandonado
Esquecido
plena escuridão
Antes, palavras em vão
O chão se abriu
A casa caiu
O sol fugiu
O céu se abriu
Sem nuvens você partiu
A paixão findou
O corpo tremeu
Tudo!... é mesmo nada
Tentei falar
Fui parado por um não
Fria, contida e debochada
Como posso relutar
Quando fingir
Caminhar pra onde
Começar o que?
Asas pra que?...
Como voar sozinho
O que ficou foi tristeza
Um corpo inerte
Vou juntar o que me resta
Fazer um ponto final
Mudar de roupa
Vou pular essa página
Olhar outros horizontes
Falar com alguém
Escrever palavras...
São só palavras
Um minuto, uma hora
Um dia, uma semana
Um ano, 10 anos
Só o hoje é que importa
Fechei um capítulo

Me deixou ao luar
Viajou, e nada falou
Me embriaguei e falhei
Corri e não alcancei
Deixei, não falei
Parei, chorei
Fiquei no passado
Perdi as horas
Perdi sua fala
Perdi seu olhar
Perdi sua mão
Perdi seu corpo
Perdi você
Me perdi
Perdido
Sofrido

Passei perto
Apaguei a luz
Segurei a sua mão
Esfreguei no rosto
Falei o que você queria
Tomei o seu corpo
Tremi do seu lado
Comi na sua mão
Mesmo agora
Sinto você
Seu cheiro
Seu gozo.
O que falar depois de um "bom dia"
Uma troca de olhar
É tudo muito rápido
Não sei seu nome
O contrário da vizinha(*)
essa vai mas volta
essa quero vê-la
De perto quero tê-la
A rua se abre pra vê-la passar
As rosas tem o seu perfume
A brisa é sua amiga
O sol sorri e a Lua acaricia
Te acho em um poema
Falo e sonho sozinho
Qual o momento certo?
Procuro me conter
Faltam palavras
Fixo atrás das lentes
Um beijo na boca
Num piscar de olhos
Eu fico excitado
Distância entre dois corpos
Desejo à flor da pele
Olhar pecador
Arroxada pro meu olhar
Bem vestida e assistida
Muito comportada
Ela é desejada
(*um poema do meu amigo Marcel "Vizinha")
Rubens de A. Medeiros